por Sidnei Jr.
O conceito de “terceiro educador” nasceu em Reggio Emilia para destacar que o espaço físico não é apenas pano de fundo, mas um agente ativo na construção do conhecimento. Quando pensado intencionalmente, o ambiente instiga curiosidade, promove autonomia e celebra vozes individuais. Ele atua como parceiro silencioso, guiando crianças em jornadas de exploração, investigação e expressão.
Elementos de um ambiente inspirador
Para que o espaço exerça esse papel transformador, alguns princípios são fundamentais:
- Estética e cuidado
Materiais organizados, cores suaves e iluminação natural comunicam respeito e acolhimento, sinalizando que cada criança importa. - Acessibilidade e autonomia
Móveis proporcionais, prateleiras baixas e objetos à altura dos olhinhos convidam ao toque e à autonomia nas escolhas. - Materialidade rica e diversificada
Elementos naturais (pedras, folhas, galhos), recursos artísticos e materiais de sucata ampliam possibilidades sensoriais e criativas. - Flexibilidade e fluidez
Espaços multifuncionais que se adaptam a diferentes projetos estimulam a colaboração e o movimento, incentivando trocas espontâneas.
Espaços que contam histórias
Cada cantinho da escola pode ser narrador de experiências. Um mural de descobertas exibe registros fotográficos, desenhos e comentários das crianças. Áreas de investigação – com lupas, réguas e livros de referência – transformam o simples ato de observar em verdadeira pesquisa científica lúdica. Ao registrar trajetórias e hipóteses, o espaço se torna memória viva das aprendizagens.
A dimensão sensorial em cada gesto
O ambiente como terceiro educador também passa pelo cuidado com texturas, sons e cheiros. Tapetes de lã, caixinhas de madeira que rangem ao abrir, aromas de plantas em vasos compõem um cenário que convida à exploração gentil. Quando cada detalhe é pensado, a criança sente que está em um lugar de possibilidades infinitas, onde os sentidos são portas de entrada para o conhecimento.
Do planejamento à experiência
Criar um ambiente educativo exige intencionalidade:
- Mapear rotinas e ritmos das crianças
- Selecionar materiais que dialoguem com os temas em estudo
- Organizar espaços em zonas de interesse (leitura, construção, ateliê)
- Rotacionar recursos para renovar descobertas
- Observar e ajustar continuamente, a partir das interações dos alunos
Esse ciclo de planejamento, ação e documentação permite que o espaço evolua junto com as crianças, mantendo-se sempre inspirador.
Impactos na aprendizagem
Uma sala configurada como terceiro educador promove:
- Desenvolvimento da autonomia e do protagonismo
- Estímulo à curiosidade e ao pensamento crítico
- Fortalecimento das habilidades sociais por meio de trocas espontâneas
- Aprendizagem concreta, ancorada na experiência sensorial
- Conexão profunda com o processo criativo, valorizando erros como descobertas
Quando o espaço convida à experimentação, a escola deixa de ser apenas edifício e se torna um laboratório vivo, onde cada escolha de design ecoa em práticas pedagógicas significativas.
Se você quer levar esse conceito adiante, experimente:
- Redesenhar uma área da sua sala com materiais naturais e coleções de objetos curiosos
- Criar mapas sensoriais que guiem projetos de arte e ciência
- Organizar uma “feira das descobertas” para que as crianças apresentem suas explorações
- Propor um rodízio periódico de cantinhos temáticos, mantendo o ambiente sempre pulsante
- Realizar rodas de conversa com famílias para envolver todos na criação do ambiente educativo
