por Sidnei Jr.
- Na nossa escola, inspirada na abordagem Reggio Emilia, acreditamos que cada criança tem muitas formas de se expressar — não apenas com palavras, mas também com gestos, desenhos, movimentos, construções, sons e até silêncios. Essa ideia é conhecida como “as cem linguagens da criança”, uma metáfora criada por Loris Malaguzzi, que nos convida a enxergar a infância com mais sensibilidade e escuta.
- Quando uma criança desenha uma espiral, constrói uma torre com blocos ou inventa uma história com bonecos, ela está dizendo algo. Está pensando, sentindo, criando. E nós, adultos, precisamos aprender a escutar essas linguagens com atenção. Na nossa escola, isso significa oferecer espaços ricos em materiais, tempo para explorar e liberdade para escolher como se expressar.
- Cada ambiente é preparado com cuidado para acolher essas expressões. Há cantinhos para desenhar, para dramatizar, para investigar com água, terra, luz e sombra. Os materiais não têm um único uso: uma caixa pode virar casa, navio ou esconderijo. A criança decide, e o educador acompanha, observa e documenta. Esses registros — fotos, falas, desenhos — ajudam a revelar o pensamento infantil e são compartilhados com as famílias, criando pontes entre casa e escola.
- Um exemplo recente foi o projeto sobre “os sons da natureza”. Algumas crianças quiseram desenhar o vento, outras criaram instrumentos com folhas e galhos, e um grupo inventou uma dança que imitava o movimento das árvores. Cada expressão foi diferente, mas todas falavam da mesma curiosidade: como o mundo se comunica conosco?
- Reconhecer as cem linguagens é confiar na criança. É entender que ela não precisa ser “ensinada” o tempo todo, mas sim acompanhada em seu processo de descoberta. É permitir que ela experimente, erre, refaça, invente. E, acima de tudo, é valorizar sua voz — mesmo quando ela não vem em forma de palavras.
- Como famílias, vocês são parte essencial dessa escuta. Ao observar os desenhos dos filhos, ao perguntar sobre suas invenções, ao acolher suas histórias, vocês ajudam a fortalecer essa rede de significados. A escola não é um lugar separado da vida: é um espaço onde a vida acontece com intensidade, beleza e sentido.
- Que possamos continuar juntos nessa jornada de escuta, acolhimento e encantamento. Porque, como diz Malaguzzi, “a criança tem cem linguagens (e cem, cem, cem mais)… mas noventa e nove são roubadas”. Nossa missão é devolvê-las, uma a uma, com afeto e coragem.





